Lesões durante a ordenha: como prevenir e como afetam a qualidade do leite?


A ordenha é considerada uma das tarefas mais importantes dentro da produção leiteira. Com um bom manejo de ordenha, é possível produzir leite de alta qualidade, reduzindo casos de contaminação microbiana, química e física do leite.

No entanto, quando o equipamento de ordenha apresenta falhas, ou o manejo é incorreto, a tendência é que ocorrências de lesões nos tetos das vacas aumentem, alterando a resistência das matrizes às infecções, além de levar à mastite, edemas, congestão do teto, hemorragias e hiperqueratose, com consequente queda de produtividade e de rentabilidade.

Para evitar tais ocorrências, é necessário priorizar o manejo de ordenha, além de aperfeiçoar o conhecimento sobre as vacas em lactação, funcionamento da ordenhadeira, e especialmente das normas de higiene.

Baseado na importância da ordenha, convidamos você a acompanhar quais são as medidas preventivas para evitar lesões em vacas durante a ordenha e manter a qualidade do leite.

Pontos essenciais para evitar problemas às vacas durante a ordenha


Em busca de mais qualidade e volume de leite, a ordenha tem um papel fundamental, principalmente, para evitar ocorrências de lesões às vacas. Normalmente, os programas de controle de lesões em vacas (caso da mastite) estão ligados, direta ou indiretamente, com uma ordenha de qualidade.

É exatamente por essa relação que o controle da qualidade e limpeza na ordenha são etapas fundamentais. Para isso, é importante dar prioridade a três conjuntos de ações para manter as vacas saudáveis:

· Boas práticas clínicas;

· Boas práticas de ordenha;

· Manutenção, limpeza e calibração dos equipamentos de ordenha.


Boas práticas clínicas: medidas curativas de vacas com lesões


Na atividade leiteira, é essencial a adoção de medidas preventivas para que os animais não tenham lesões e demais problemas. Mas sempre haverá aquele momento em que o tratamento curativo (medicamentos) será uma necessidade.

Porém, toda aplicação de medicamento exige a adoção de Boas Práticas Clínicas, que favoreçam a resposta ao tratamento - por permitirem a utilização segura e adequada dos produtos – e proporcionem maior produtividade ao rebanho.

Além disso, as condições sanitárias do rebanho devem ser monitoradas periodicamente, com a separação dos animais doentes dos animais sadios. Quando necessária, a administração do medicamento deve ser realizada, preferencialmente, pelas vias intravenosa, intramuscular e intramamária, conforme a orientação de um médico veterinário.

O compartilhamento de agulhas deve ser evitado, reduzindo o risco de disseminação de doenças.

Boas práticas de ordenha: animais saudáveis e leite livre de resíduos


A falta de cuidados com a higiene durante a ordenha interfere diretamente na qualidade do leite. Assim, ocorrências como descuidos do ordenhador, uso de equipamentos mal higienizados e animais muito sujos aumentam as chances de contaminação. A falta de refrigeração do leite também é um fator que compromete a qualidade do leite após a ordenha.

Por isso é essencial adotar algumas condutas de produção que garantem animais saudáveis, leite livre de resíduos e de acordo com as condições socioambientais adequadas. Um bom exemplo são as boas práticas de ordenha, que envolvem o ambiente, os procedimentos e os cuidados com a armazenagem do leite.

As boas práticas de ordenha englobam prioritariamente as ações do ordenhador, tais como:

· Conhecimento elementar sobre aspectos básicos da anatomia e fisiologia do úbere das vacas;

· Conhecimento sobre quais são os procedimentos corretos de ordenha;

· Entendimento sobre o funcionamento da ordenhadeira e demais equipamentos;

· Conhecimento sobre o comportamento das vacas em lactação;

· Ciência sobre todos os protocolos de higiene dos equipamentos utilizados no momento da ordenha.


Manutenção, limpeza e calibração dos equipamentos de ordenha


Assim como as boas práticas clínicas e de ordenha, é fundamental priorizar a limpeza, manutenção e calibração dos equipamentos destinados à ordenha e dos equipamentos destinados à refrigeração do leite.

Esses procedimentos devem ser realizados de acordo com as instruções do fabricante, utilizando material e utensílios adequados, bem como detergentes (inodoros e incolores) específicos para este fim.

Ter atenção diária sobre o funcionamento do equipamento é fundamental para evitar alguns problemas relacionados à saúde das vacas e qualidade do leite, tais como:

· Lesões nas pontas dos tetos de vacas;

· Ordenha incompleta dos quartos mamários;

· Aumento do tempo de ordenha;

· Aumento da contagem bacteriana;

· Leite ácido;

· Gordura do leite do tanque abaixo da média dos valores individuais dos animais;

· Vacas com desconfortos durante a ordenha;

· Aumento de casos crônicos de mastite;

· Queda recorrente de teteiras durante a ordenha.

Para resolver esses problemas, é preciso ficar atento à verificação da pressão do vácuo, frequência e regulagem dos pulsadores. Os conjuntos de ordenha devem apresentar bom estado de conservação, funcionamento e higienização, com medidores adequados e funcionais e pressão de vácuo suficiente (32kPa a 42kPa).

A verificação do nível de vácuo pode ser feita através do vacuômetro e do teste dos três segundos. Esse teste consiste em deixar entrar o ar no sistema através da teteira que deve ser fechada posteriormente, com medição do tempo de retorno ao valor normal que não deve exceder três segundos.

Por fim, observa-se que a falta de higiene na ordenha compromete todo o trabalho da fazenda leiteira, principalmente a lucratividade. Para evitar problemas mais graves, é primordial a adoção de tarefas simples de baixo custo, realizadas por meio de boas práticas no manejo de ordenha.


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