Medidas de defesa sanitária em fazendas leiteiras: quais adotar?



Não há dúvidas sobre a importância de praticar medidas sanitárias em propriedades com rebanho leiteiro. Essas medidas devem ser recorrentes e buscam garantir máxima saúde e segurança de vacas leiteiras.

Porém, em muitas propriedades leiteiras ocorrem grandes perdas decorrentes de erros ou negligência na realização de muitos manejos. Como resultado, a propriedade pode sofrer sérias consequências, como a perda de animais e até a contaminação do leite por patógenos.

Por isso, cabe aos gestores adotar medidas de defesa sanitária durante todos os manejos relacionados ao dia a dia do rebanho, da chegada de novos animais até o descarte de animais doentes. Somente assim serão evitadas a introdução ou transmissão de problemas sanitários na fazenda.

Veja quais medidas de defesa sanitária devem ser adotadas pela fazenda e conheça as práticas associadas mais recomendadas neste aspecto.

Medidas de defesa sanitária garantem um rebanho mais sadio


É consenso entre produtores que a sanidade do rebanho é um dos fatores fundamentais para obtenção da maior lucratividade dos sistemas de produção de leite. Afinal, um rebanho sadio é a primeira etapa para obter um produto final de qualidade e seguro.

Por isso, as medidas de biosseguridade e de defesa sanitária são essenciais. Representam um conjunto de práticas de manejo adotadas na unidade de produção de leite, com o objetivo de reduzir as chances de comprometimento da segurança do alimento e transmissão de patógenos causadores de agravos à saúde única (animal e humana).

Dessa forma, as propriedades leiteiras devem ser continuamente monitoradas para a identificação de possíveis riscos tanto de introdução como de transmissão de agentes infecciosos, causadores de doenças dentro da propriedade.

As estratégias de biosseguridade devem se basear fundamentalmente no controle da introdução de patógenos (biosseguridade externa) e no controle da disseminação de patógenos (biosseguridade interna) nos animais do rebanho.


Quais medidas de defesa sanitária adotar?


Algumas medidas de defesa sanitária e biosseguridade são prioritárias e devem ser adotadas pela fazenda leiteira, contribuindo para a sanidade dos animais e a qualidade do leite. A seguir, destacamos algumas dessas medidas.

1. Instrua a quarentena de novos animais recém-adquiridos

Uma estratégia importante para garantir a defesa sanitária da fazenda é a introdução do isolamento dos animais recém-adquiridos antes de eles fazerem parte do rebanho.

Tal cuidado contribui para impedir a entrada, na propriedade, de doenças com longos períodos de incubação, como é o caso da paratuberculose.

Desse modo, com a quarentena forma-se uma barreira sanitária, prevenindo a introdução de patógenos na propriedade. Mas, infelizmente, essa é uma prática pouco utilizada na atividade leiteira.

Vale lembrar que animais doentes devem ser tratados e/ou rejeitados conforme a enfermidade apresentada.


2. Tenha total controle do acesso ao interior da propriedade

Outro ponto crítico com relação à biosseguridade da propriedade leiteira é o acesso de pessoas, veículos e outros animais estranhos à propriedade, que deve ser evitado ou estritamente controlado.

Isso não significa que os veículos serão proibidos de entrar, mas deverão ter a entrada controlada e restrita aos locais destinados a recebe-los. Por exemplo, o caminhão de leite, o caminhão de entrega de ingredientes da dieta, serviços externos e visitantes em geral devem ter o acesso restrito à propriedade, tendo acesso somente a áreas em que os animais não estejam presentes.

Também é importante manter o registro de todos os visitantes, procurando conhecer a origem dos mesmos. Isso é simples, mas essencial, já que uma simples anotação pode ajudar na elucidação de eventuais alterações que venham a ocorrer no rebanho.


3. Tenha um bom programa de controle de pragas

Outro sério problema de propriedades leiteiras são as pragas, tais como animais nativos, roedores, pássaros e insetos.

Para combater estas pragas, cabe ao produtor impedir a presença delas no mesmo local que os animais de produção. Para isso é preciso garantir o controle adequado em locais onde elas possam se reproduzir, introduzir doenças e/ou afetar a qualidade e segurança do leite.

Também é importante a adoção de medidas preventivas (criação de barreiras físicas, uso de telas e aplicação de defensas nas estruturas de sustentação) e medidas corretivas (manejo adequado do lixo, remoção de entulhos e descarte correto de carcaças).

Para melhor combate das pragas, recomenda-se a adoção de um manejo integrado destas pragas, que deve englobar a inspeção, identificação da praga, medidas corretivas, avaliação e constante monitoramento.


4. Muito cuidado com parasitas e vetores

Outra preocupação em fazendas leiteiras é o controle de insetos parasitas e vetores, principalmente devido aos danos diretos e indiretos aos sistemas de produção de leite.

Neste cenário, o controle de moscas representa um dos grandes desafios encontrados na propriedade leiteira, sendo dificultado pelos diferentes tipos de manejo comumente realizados, diversidade das instalações, topografia local, variações climáticas e principalmente pela rápida capacidade de adaptação das moscas aos inseticidas.

Seu controle deve se dar por meio do manejo adequado de dejetos e pela aplicação de produtos químicos adequados no animal de acordo com as recomendações do veterinário.

Por fim, é importante indicar que o sucesso de um programa estratégico de biosseguridade na propriedade leiteira depende de constante treinamento, disciplina e real comprometimento de todos envolvidos na atividade.


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